segunda-feira, 18 de julho de 2016

20. Avalie a mudança de vida com objetividade

Ao decidir abrir um negócio, avaliar as mudanças com objetividade faz com que o empreendedor se sinta mais seguro. "É importante que o empreendedor não fantasie essa mudança, somente vendo pelo lado do sonho, mas sim vislumbrando um caminho real", afirma Marcelo Cherto.

Muita gente sai do modo "empregado" para o modo "patrão" e não faz essa análise de forma racional. "Sair da posição de empregado para a de patrão envolve uma série de modificações, principalmente no que diz respeito ao status", afirma Cherto. De início, o empreendedor vai perder todas as mordomias que tinha como empregado, como carro, seguro-saúde, bônus, entre outros. Isso impacta até no lado pessoal, incluindo a família, que tem que estar junta no novo caminho. Mas ele precisa acreditar que essa troca vale a ena. "No curto prazo, a mudança vai pedir esse sacrifício, mas, lá na frente, ele poderá ter o retorno em abundância", afirma Cherto.

Todo negócio tem um lado não glamouroso, que ocupa boa parte do tempo da vida do empreendedor. "Por exemplo, se o empresário monta um café, ele vai ter que estar preparado para acordar de madrugada para ir ao Ceasa buscar os melhores produtos, operar uma máquina de café, caso seu atendente falte ao trabalho. Ele será o office-boy, o departamento jurídico, o departamento de compras. Normalmente quem vem de uma grande empresa como empregado tem dificuldade em assumir todos esses papéis, pois está acostumado a buscar ajuda para resolver essas questões", avalia o presidente do Grupo Cherto.
Para assumir o papel de "dono", é necessário que o empreendedor aprenda a depender de si próprio. "Como empregado, ele espera que alguém defina o comportamento que ele tem que ter. Mas como dono, é o empreendedor quem vai tomar as decisões", diz Cherto. 

André Kina, proprietário da empresa 4Bio, abriu mão do emprego confortável que tinha como gerente financeiro da Procter & Gamble, para assumir o sonho de ser seu próprio patrão. Para ele, um dos maiores obstáculos foi lidar com o aspecto emocional. "Eu tinha uma posição confortável, estava numa empresa que me proporcionava crescimento, tinha vários benefícios. Mas eu olhava para o meu chefe na empresa e não me via feliz ocupando o lugar dele, como diretor", conta Kina. "Eu descobri que tinha características empreendedoras e, para colocar isso em prática, precisei aplicar boas doses de objetividade para conduzir esse processo, pois o lado emocional pesa muito nessa hora".
Ao longo do tempo em que trabalhou como empregado, Kina era invadido por questionamentos internos que o "chamavam" para essa nova jornada. " Chegou um momento em que eu percebi que tinha chegado a hora de tomar essa decisão, pois era o meu sonho, e me descobri um apaixonado por empreender. Cerquei-me de todos os aparatos – conhecimento, capital, pessoas, entre outros –, e parti para a nova jornada. Fiz isso com segurança e não me arrependo por isso"
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